Silvino Lopes (Filho)

Auto Biografia

Nasci em Lisboa em Outubro de 1962.
Sempre gostei de escrever e foi no Liceu Padre António Vieira que me fascinei pela Língua Portuguesa, por força de uma professora dessa disciplina que, com o seu entusiasmo pela escrita e pelos autores, me cativou.
A música sempre foi “uma parte de mim” desde que me conheço.
Aos oito anos tive a minha primeira viola que o meu pai me comprou na feira da ladra e aos nove anos o meu avô Silvino ofereceu-me uma viola que ainda é a minha.

Entrei para a Caixa Geral de Depósitos em março de 1983, e foi por força de colegas bancários do BES que pude desfrutar do prazer de fazer parte de um grupo de música popular, que atingiu alguma projecção e que chegou, inclusivamente, a gravar um CD.
Deste grupo resultaram profundas amizades e algumas ainda me acompanham como é o caso do Nuno Espinal.
Ainda neste grupo, no “Besclore”, tive o privilégio de conhecer alguém que me trouxe novo impulso à escrita (que sempre fui fazendo e guardando).
Ensaiador do grupo, entregue à música de alma e coração, o Vitor Amorim musicou alguns poemas meus, o que me levou a escrever ainda mais e a encontrar novo prazer e novas formas de o fazer.
O que me liga a Vila Cova são as minhas raízes, através do meu avô Silvino Lopes (Bogalhas) que foi músico e embora nunca tivesse feito parte da filarmónica “Flor do Alva” como tal, sempre foi seu grande entusiasta e defensor.
Também cresci com o rio e o salgueiral, as panelas de ferro e as lareiras, as noites de verão no miradouro e os potes no chafariz.
O meu avô foi músico, o meu pai é poeta, no fundo, isto está-me no sangue um bocadito.

 

Poema a Vila Cova


Sempre que te vejo, Vila velha,
Por entre o arvoredo e o caminho
De curvas, onde o Alva, fresco, espelha
O sol que o outono traz mansinho

Sempre que te vejo, Vila minha
Nas tuas cores, em todos os matizes
Do casario, dos milharais, da vinha,
Da terra... onde estão minhas raízes

Sempre que te vejo, Vila Cova
Parece que me encontro... e sei quem sou
De tão velha que és, pareces nova
Vila Cova... do Alva que passou

 

Gota de Água

Se uma gota de água, aborrecida,
Já farta da imensa multidão,
Toma uma decisão e, decidida,
Inventa uma nova direcção,

Ninguém vai perceber porque, de facto,
As gotas não se vêem, tantas são.
Ninguém vai perceber, nem pelo tacto,
Qual é a gota do meu coração.

Se uma gota, que vai na corrente,
Cheia de sonhos, cheia de esperar,
Salta das outras, assim, de repente,
E trilha um novo rumo pelo mar,

Ninguém vai perceber, nem se dar conta,
Que uma gota é tão diferente.
Que uma gota só parece tonta
No meio de tantas gotas de gente.

Se uma gota de água, pequenina,
Cansada do buliço da maré,
Se acha com a pobre triste sina
De quem se sente alguém... mas nunca é,

Ninguém vai perceber, ninguém se importa.
O mar é um mar de gotas sem vontade.
E ninguém vai saber que o mar transporta
A gota de água doce da saudade.

 

Esquinas da Vida


Em cada esquina da vida
Há uma interrogação
E não se sabe a medida
Da sua resolução

Em cada esquina da vida
Tudo pára, tudo avança
Ora em passo de corrida
Ora em passinhos de dança

Em cada esquina da vida
Há um mistério no escuro
A sina que não foi lida
Uma aposta no futuro

Em cada esquina da vida
Há uma esperança renovada
Uma quimera perdida
Uma mão cheia de nada

Em cada esquina da vida
Há sempre algo a resolver
E cada um que decida
O caminho a percorrer