Sérgio Fonseca

Sérgio Carlos da Fonseca, nasceu em Vila Cova de Alva, em 23 de Maio de 1910.
Sendo o mais novo de 4 irmãos, aos 12 – 13 anos deixou a terra natal e foi viver para Lisboa, onde a modesta situação financeira da família cedo o obrigou a começar a trabalhar.
Morava no Bairro Alto, e diariamente passava pelo Chiado, no trajecto do emprego para casa, onde à época o café “A Brasileira” tinha, pelo menos aos fins de tarde, um pequeno grupo musical, que tocava música clássica para os clientes. A música fascinou-o e, embora sem qualquer tradição musical na família, aí nasceu a sua paixão pelo violino.

Logo que lhe foi possível inscreveu-se na Academia dos Amadores de Música, e iniciou, por vontade própria, o curso geral do Conservatório, na disciplina de violino.
Mantendo sempre o emprego, indispensável para a sua sustentabilidade, concluiu o curso geral, findo o qual o seu Mestre, o Professor Pedro Blanc, encontrando-lhe notórias qualidades como violinista, lhe propôs o ingresso no curso superior de violino, para o que seria no entanto imperativo dedicar muito tempo, forçando-o, portanto, a abandonar a sua profissão.
A necessidade de se sustentar e não tendo familiar que o financiasse, (estávamos nos anos 30 e a carreira musical foi olhada com desconfiança!...) obrigou-o a desistir dos “voos” propostos pelo Mestre, e deixou o Conservatório.
Mas, longe de deixar o violino, sempre praticou aquela arte musical em casa, e, mais tarde, já com mais de 50 anos, acabou por concluir o curso superior naquela variante musical, quando a sua situação profissional o permitiu.
Na Academia de Amadores de Música, que nunca deixou de frequentar, fez amizade com outros “amadores” de música, entre os quais o pintor Carlos Botelho. Formavam, com outros amigos, uma orquestra de câmara, e quase todos os fins de semana se reuniam para “fazer música”, como diziam. Viria a ser Carlos Botelho a iniciá-lo na arte de manejar as tintas e os pincéis.
Quando, aos 63 anos, uma situação de espondilose do pescoço o impediu de manter com regularidade a sua actividade musical, resolveu tentar a pintura. Numa entrevista que deu à revista “Nova Gente”, por ocasião de um dos Salões Nacionais de Pintura “Naif” do Casino Estoril, em 1989, dizia :”Nunca tinha feito qualquer quadro, mas um dia resolvi experimentar. A pintura não nos pareceu má (a mim e ao Carlos Botelho) e resolvemos continuar. Quando dei por mim estava de alma e coração entregue à tela”.
Pintou sobretudo paisagens, rurais e urbanas, sendo o seu tema preferido a cidade de Lisboa. Dos temas rurais destacam-se alguns aspectos da sua terra natal, Vila Cova, e de aldeias serranas, como o Piódão. Óbidos, Évora, Abrantes, entre outras, foram cidades que também lhe serviram de tema.
Expôs pela primeira vez numa mostra colectiva no Mercado da Primavera, em 1973, obtendo uma menção honrosa, o que ainda mais aumentou o seu entusiasmo.
Apesar desse entusiasmo, nunca abandonou a sua primeira “paixão” – a música. Na citada entrevista diria: “Ainda hoje adoro tocar! Acho que sou um violinista frustrado...”. Melhorado da sua condição física, retomou o violino, e manteve a sua participação num quarteto de cordas, que, a par da pintura, o manteve activo e interessado na vida até ter falecido, o que ocorreu em Lisboa, em 3 de Maio de 2003.
  • Exposições em que participou:
    - III Sal ão dos Artistas de Domingo, no Mercado da Primavera, em Lisboa, em 1973.
    - Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, em 1974.
    - Feira de S. Mateus, em Viseu, em 1975.
    - Salão de Turismo de Viseu, em Viseu, em 1976 e 1977.
    - Trofeo Calabria, do Centro Internazinale di Arte e di Cultura, em Reggio Calabria, Itália, em 1979.
    - Centro Artistico e Culturale Internazionale Giulio Rodino, em Nápoles, em 1980.
    - Centre International d’Art Contemporaine, Salon des Nations, em Paris, nos anos 80.
    - Galeria de Arte do Casino Estoril, Salão Nacional de Pintura Naif, Estoril, em 1985, 1988, 1989.
    - Salão de Outono do Casino Estoril, Estoril, anos 80.
    - Galeria Miron (exposição individual), em Lisboa, em 1988 e 1990.
    - Galeria do Hotel Alfa (exposição individual), em Lisboa, em 1989.
    - 20ème e 21ème Concours International, Prix Suisse et Prix Europe, de Peinture Primitive Moderne, em Morges, Suiça, em 1991 e 1992.
    - Galeria Ditec, em Lisboa, em 1992 e 1994.
    - Galeria de Arte da Cervejaria Trindade, em Lisboa, em 1994 e 1996.
    - Galeria de Arte Apple, em Lisboa, nos anos 90.
    - Exposição de Pintura Naive – “Lisboa Ingénua” – no Convento dos Cardaes, (organização da Associação de Pintores Primitivos Modernos, ditos Naif), em Lisboa, em 1994.

 

  • Prémios que recebeu:
    - Menção Honrosa do Secretariado da Cultura, III Salão dos Artistas de Domingo, Lisboa, 1973.
    - Menção Honrosa no Trofeo Calabria, Reggio Calabria, Itália, 1979.
    - Medalha e Menção Honrosa do Centro Artistico e Culturale Internazionale Giulio Rodino, Nápoles, 1980.
    - Prémio pecuniário Caves Aliança, Lisboa, anos 80.
    - Menção Honrosa do Centre International d’Art Contemporaine, Salon des Nations, Paris, anos 80.
    - Menção Honrosa no Salão Nacional de Pintura Naif do Casino Estoril, Estoril, 1989.
    - Menção Honrosa no 20ème Concours International de Peinture Primitive moderne, Morges, Suiça, 1991.

 

  • Está representado em:
    - Museu Internacional de Arte Naif,de Jaen, Espanha.
    - Museu Diogo Gonçalves, Portimão.
    - Museu de Guimarães.
    - Câmara Municipal de Lisboa.
    - Câmara Municipal da Lousã.
    - Serviços Sociais do Ministério da Cultura.

Telhados (VIla Cova)

Vila Cova do Alva


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